Não é só desenhar um site bonito: uma breve introdução a UX Design

Fernando Ameixieira de Godoy
Fernando Ameixieira Godoy UX Designer

O comportamento do consumidor muda constantemente. Não é de hoje, inclusive, que as empresas e agências precisam se adaptar a essas mudanças. Mas, o que mais mudou, na era dos produtos digitais, é o consumo atrelado ao valor e experiência. Ou seja, cada vez mais as pessoas buscam produtos e serviços que sejam simples de usar e que gerem valor ao serem utilizados.

O centro de tudo, por isso, é o que chamamos de experiência do usuário, frase que virou uma buzzword. Dentro das empresas, é moda dizer que pensa em seu usuário e que se criam produtos, sites e aplicativos com foco em UX. Mas poucas pessoas entendem, de fato, o que isso significa. Afinal, o que é UX Design além de tela bonitas?

Antes de tudo, para melhor compreensão, vamos começar pelo termo UX Design, que foi cunhado por Don Norman, considerado o grande nome da área, na década de 90. O significado, em tradução livre, é Design de Experiência do Usuário. E, saindo um pouco do senso comum, design é muito mais que layout, é concepção de serviços e produto, sejam eles físicos ou digitais, pensando, especialmente, em sua forma física, funcionalidade e percepção. Com isso, recorro novamente a Don Norman para nos explicar o restante do termo: “Tudo é experiência do usuário.”.

Bom, partindo para uma abordagem mais prática, UX Design é aquilo que foi criado, por meio de estratégias, metodologias e processos de design, para ser desejável, útil e usável.

Mas como se faz essa tal de UX?

Antes de tudo, vale dizer que não é por meio de epifanias que nascem experiências como a da Netflix ou Amazon. É com muito estudo, processos e, sim, criatividade. Para conseguir, de fato, fazer uma entrega de valor para o usuário, o UX Designer precisa de um processo. O mais conhecido e adotado, é o design thinking, que consiste em quatro etapas para alcançar um objetivo: empatizar, definir, idear e prototipar.

Além deles, não podemos nos esquecer o teste, que não é considerado uma etapa do processo por estar diretamente relacionada à prototipar. Isso por que uma solução só pode ser centrada no usuário se for validada com ele. O design de experiência do usuário, inclusive, só tem valor se o usuário for envolvido no processo como um todo.

Com o Design Thinking, existe o conceito do duplo diamante, que nada mais é o fato de você divergir em informações, fazendo uma imersão e pesquisas sobre o assunto para expandir seu conhecimento e depois convergir, fazendo uma síntese e definindo qual caminho seguir, assim, formando o primeiro diamante. Depois disso, você diverge novamente em uma concepção irrestrita de ideias e converge no desenvolvimento da solução a ser testada, formando o segundo diamante.

Esse processo não necessariamente tem fim. Você pode empatizar, definir, idear, prototipar e, quando testar, descobrir que precisa começar tudo de novo. Além disso, podemos percorrer vários duplos diamantes para alcançar um objetivo.

Mas, o mais importante, é não trabalhar em função do Design Thinking (ou qualquer processo ou metodologia), mas usar ele a seu benefício, adequado a sua realidade. A essência é um trabalho colaborativo, envolvendo stakeholders e usuários, para entregar uma solução que faça sentido para o cliente, seja benéfico para a empresa e, ao mesmo tempo, viável (tecnicamente, logisticamente, legalmente…). Explore sua criatividade para adaptar processos e metodologias.

Tá, mas quem é esse tal de UX Designer?

O UX Designer é um grande guarda-chuva, que abrange diversas especialidades, como UX Research, UX Writing, Design de Interface e mais. Mas, no geral, o UX Designer é aquele que realiza análises de métricas, pesquisas, workshops, testes, protótipos e, entre outras coisas, também, telas bonitas. Um papel fundamental, além desses, é fazer com que experiência do usuário seja muito mais do que uma pessoa ou um time, mas uma cultura. É aquele que dissemina conhecimento, capacita pessoas e age como uma consultor e porta-voz do usuário dentro da empresa.

O UX Designer, também, atua além da tangibilização de telas, como, por exemplo, na elaboração de estratégias de mídia. Trazendo um exemplo prático e real de como isso pode acontecer, analisando métricas de landing pages de campanha, identificando um problema nelas, gerando uma hipótese de melhoria nesse fluxo, o UX Designer é capaz de aumentar 300% a taxa de conversão em campanhas de lançamento de produto, otimizando o investimento em mídia online. O UX Designer pode, também, atuar além dos produtos digitais e, por exemplo, elaborar estratégias de produtos físicos, construir uma marca e criar e repensar serviços e métodos de trabalho.

Uma breve introdução

Tudo isso foi apenas uma breve introdução. Explicar no detalhe todos os processos, especialidades e atuações de UX em um único texto é uma missão impossível. A ideia central era passar uma noção do que é essa profissão da moda e por que ela é tão importante. E, se você quer começar na área ou quer aplicar um pouco de UX em seu trabalho, foque no problema a ser resolvido não na solução. Foque em evidências, não em subjetividade. E, o mais importante, foque no usuário e não em seus anos de experiência com o público.

E lembre-se, “tudo é experiência do usuário“.

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Fernando é UX Designer e trabalha no entendimento do comportamento, necessidades e motivações do usuário. Trabalhou por três anos no Itaú Unibanco e atualmente está no Grupo Boticário. Atuando em duas das maiores empresas do Brasil, já entregou soluções para e-commerces, sites institucionais, inteligência artificial e produtos digitais. Além disso, é apaixonado pela arte de contar histórias.

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